Plantando sementes… dando os frutos

Semeador

O ponteiro do relógio central já marcava 16h30, o céu estava pintado com tonalidades de um rosa alaranjado. A brisa que suavemente percorria pelo parque levava consigo as folhas secas que caiam mansamente das árvores. O vento já não era tão morno, pois o sol começava a dar seus primeiros sinais de despedida. Por todo o parque era possível observar algumas crianças brincando livremente, enquanto os adultos em constante vigilância observavam com os olhos inquietos o vai e vem dos pequeninos.

Em um banco qualquer estava sentando um jovem que aparentava ter seus 25 anos de idade, não era nem alto nem baixo, estava vestido como um estudante, calça jeans, camisa de malha e uma barba por fazer. Em seu colo repousava uma mochila, já surrada, e suas mãos sustentavam um livro.

Os olhos do jovem estavam atentos e com ligeireza percorriam as letras miúdas do exemplar, como se aplacassem uma imensa ânsia de possuir todo o conhecimento contido na obra.

Um senhor de idade com barbas e cabelos brancos começou a se aproximar a passos largos até o banco no qual o jovem estava sentado, olhou para o garoto e perguntou se poderia sentar ali. Para não ser indelicado o jovem consentiu com um gesto afirmativo. Então, o senhor indagou:

__ Nossa! Como essas caminhadas me deixam cansado. Mas, como o próprio médico me disse, é para minha saúde. E Deus me livre desobedecer ao doutor.

O Jovem estava tão entretido com a leitura que apenas deu um sorriso amarelo no canto direito da boca, numa tentativa de parecer interessado no que o senhor dizia. Mas, percebendo isso o idoso comentou:

__ Desculpe meu filho! Estou atrapalhando sua leitura. Deixe-me ir.

__ Não! O senhor não precisa ir embora, já estou de saída. E fechou o livro. Ao fechar o livro o velhinho reparou no título e viu estampado na obra o seguinte título: “A Arte de Ser Feliz – Arthur Schopenhauer”. E disse em seguida:

__ O que um garoto novo como você procura num livro que trata sobre a felicidade?

__ Coisas!

__ Coisas?

__ É! Sei lá… Estou com tantas dúvidas.

__ Filho, você acha que ao término do livro irá encontrar respostas para todas as suas dúvidas?

__ Acho que sim! Pelo menos eu tento mudar a minha vida sem graça. Quem sabe eu não acho algo que me sirva.

O jovem de repente estava se levantando, quando o senhor o segurou pelo braço e disse:

__ Fui professor de filosofia durante vários anos de minha vida. Hoje, estou aposentado e posso lhe garantir que o que Schopenhauer propõe é uma tentativa de nos livramos e evitarmos a dor e o sofrimento como uma forma de vivermos felizes. Talvez suas dúvidas sejam maiores do que esta proposta apresentada por Arthur Schopenhauer.

Violentamente o garoto pega a mochila do seu colo, abre o zíper e joga o livro bruscamente para dentro, fecha a mochila e diz:

__ Acho que nunca vou encontrar a felicidade, ela parece ser inalcançável e eu estou cansado disso tudo.

O velho responde:

__ Como não? A felicidade está diante dos seus olhos!

__ Como assim, diante dos meus olhos?

__ Isso mesmo! Está vendo esta árvore em nossa frente? Ela é a própria felicidade. Veja como as coisas são simples. Todos os homens são parecidos com as árvores, mas eles estão cegos para as coisas simples da vida. Só pensam em trabalhar, trabalhar e trabalhar, com isso acabam deixando o essencial para depois.

Pense comigo, para que uma árvore cresça e dê bons frutos precisamos fertilizar a terra, tirar as ervas daninhas, abrir pequenos caminhos no solo e plantar as sementes, certo?

__ Certo!

__ Pois bem, quando foi a última vez que você adubou seu coração, tirou as ervas daninhas e sentimentos negativos e abriu-se para que novos sentimentos pudessem brotar?

O jovem ficou meio sem jeito. Abaixou a cabeça e decidiu continuar escutando o que o senhor havia para lhe dizer.

__ Está percebendo como as árvores são muito parecidas conosco? Mas, isso é só o começo. Para que aquela semente cresça, ela precisa de água fresca, luz solar e vários nutrientes. Quando foi a última vez que você se nutriu de bons conhecimentos, procurou se aproximar da luz, do bom, do bem e do belo?

Dessa vez o nosso garoto ficou um pouco constrangido e falou baixinho:

__ Não me lembro.

E o velhinho continuou:

__ As árvores vão crescendo à medida que vão recebendo mais luz, nutrientes e água. Deste modo, chega um momento em que ela começa a dar frutos. E os frutos serão reflexos daquilo que ela se nutriu. Ou seja, se a terra for fértil e rica em nutrientes os frutos serão belíssimos e doces, mas se a terra for seca, os frutos serão pequenos e azedos.

Pense um pouco, e veja que os frutos são nossos atos, aquilo que doamos para as pessoas. Se nossos pensamentos forem positivos, estaremos refletindo bons comportamentos, mas se nossos pensamentos forem negativos e tempestuosos, nossos atos e comportamentos irão refletir isso. E ninguém irá se aproximar de nós.

Quando uma árvore dá bons frutos ela deixa as sementes, que serão replantadas e darão vida a outras árvores. Mas, quando uma árvore não dá frutos ou os frutos são de péssima qualidade, dificilmente uma nova árvore irá nascer, e se surgir, será fraca e suscetível ao ataque de fungos e insetos.

Quais são os frutos que você está doando meu jovem, são bons ou maus frutos? As coisas são mais simples do que parecem. Não precisamos de tratados para encontrarmos as respostas para nossas dúvidas.

Lembre-se que a felicidade está nos olhos de quem vê. As respostas para suas dúvidas estão dentro de si mesmo. Não procure fora. Você é o maior filósofo, psicólogo e pensador para o seu EU. Não há ninguém que o conheça melhor do que você mesmo.

O jovem ficou cabisbaixo como se entendesse que o velhinho estivesse acobertado de razão. Então o senhor disse:

__ Sabe por que eu decidi sentar neste mesmo banco que você?

__ Não! Por quê? __ Eu e minha esposa tínhamos o costume de passear todos os fins de tarde de mãos dadas, e quando        dávamos    uma volta inteira no parque, sentávamos neste mesmo banco e atentos esperávamos que as primeiras estrelas do céu surgissem. Nunca deixamos que a rotina diária atrapalhasse nosso passeio sagrado nos fins de tarde.

Mas, há cerca de um ano ela faleceu. E eu religiosamente venho lhe fazer          companhia neste banquinho após minhas caminhadas. Admiro o céu e vejo que ela agora faz parte de uma daquelas estrelas que daqui a pouco vão surgir.

O jovem disse:

__ Sinto muito!

O senhor já com lágrimas no canto dos olhos disse:

__ A semente que nós plantamos deu um belo fruto, e ele se chama AMOR. Fico feliz que ela tenha partido primeiro que eu, seria insuportável para mim saber que ela iria sofrer com minha ausência. Nosso sentimento, nossa felicidade e nossa comunhão foram reflexos do que aprendemos com as árvores.

Para que pudéssemos entender um ao outro, tivemos que olhar primeiro para dentro de nós. Tiramos nossas ervas daninhas e assim começou a brotar o amor. Até hoje trago o sentimento de felicidade comigo, e lhe digo, a felicidade está dentro de você, só basta olhar para o lugar certo.

O jovem emocionado e convencido daquilo que o velhinho havia lhe dito, apertou a mão dele e disse em seguida:

__ Muito obrigado! O senhor me mostrou o caminho para a verdadeira felicidade, pois grande parte das respostas para nossas dúvidas estão dentro de nós, agora entendi o PODER DO AUTOCONHECIMENTO.

Depois ambos se abraçaram, o frio já começava a marcar presença. O velhinho puxou um casaco, se agasalhou e ficou olhando para o céu com um sorriso sereno. O jovem partiu com passos firmes e com uma certeza estampada no rosto, de que ele iria procurar a sua estrela.

… Dando os frutos

O ponteiro do relógio central marcava 15h21, o tempo estava nublado e fazia poucas horas que a chuva tinha passado pela cidade. O parque estava com algumas pessoas que passeavam pela área verde e úmida. Na grande maioria, adolescentes de namorico, que arrumavam um jeitinho aqui e acolá para driblar a sala de aula e iniciar suas aventurar românticas.

Mas, sentada em um banco qualquer estava uma garota que aparentava ter uns 23 anos, estava com os cabelos molhados e seus olhos castanhos deixavam rolar algumas lágrimas.

Um jovem que passeava em passos mansos notou a garota cabisbaixa e dirigiu-se ao encontro dela, e disse:

__ Posso me sentar?

A garota ficou atrapalhada e esfregou as mãos no rosto numa tentativa de esconder as lágrimas que escoriam, e meio sem jeito disse:

__ É… Acho que sim! Tudo bem!

Ao sentar nosso jovem percebeu que no colo da garota repousava um livro com o seguinte título: “Carta sobre a Felicidade – Epicuro”. Reparando isso, ele perguntou:

__ O que uma jovem como você procura em um livro que trata sobre a felicidade?

__ Respostas!

__ Hum… Certo! Você quer conversar?

__ Pode ser!

__ Vou te contar um segredo. Sabia que podemos aprender muito sobre a felicidade com as árvores?

__ É?

__ Sim! Certa vez, eu estava lendo um livro neste parque e encontrei um velhinho, generosamente ele me deu atenção, e explicou que as árvores…

Obs: trecho retirado do E-book “Self Coaching – O poder do Autoconhecimento”, publicado pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching

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